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Baltazar Torres Bruno Borges António Melo António Olaio Pedro Pousada Luís Fortunato Lima Ana Guedes Carla Capela Carlos Pinheiro Nuno Sousa.
   
 

  O percurso do lápis entregue a Baltazar Torres tem dois centros de gravidade em torno dos quais orbitam
todos os nomes que constroem esta trama. O primeiro é a galeria MCO – Arte Contemporânea, onde mais de metade dos artistas que compõem este grupo trabalharam. O segundo, talvez mais importante, é a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, pela qual apenas dois dos artistas que constroem este conjunto não passaram. Estes dois centros estão tão próximos que seria difícil não haver interferência. A aposta que a galeria fez em artistas jovens e emergentes dependeu muito da relação privilegiada entre Baltazar Torres e a faculdade onde então era professor. A própria proximidade geográfica entre a faculdade e a galeria sugere uma relação, e foi neste espaço que, desde 2005, muitos artistas iniciaram a sua carreira.

É precisamente a proximidade e o cruzamento de projectos que caracteriza o percurso deste lápis. A ligação de Baltazar Torres à MCO ultrapassa o âmbito profissional, já que este é o companheiro de Maria do Carmo Oliveira, que dirige a galeria e lhe empresta as suas iniciais. Na subversão da regra, acção que, lápis após lápis, há-de sobrepor-se a ela e transformar-se em norma, o artista define imediatamente os três primeiros nomes que vão receber o testemunho. O critério que preside à escolha de Bruno Borges, António Melo e António Olaio é a proximidade de cada um dos autores com o meio e o peso da disciplina no seu projecto artístico.

Porque desta lista inicial só António Olaio não é representado pela MCO, não é possível deixar de interpretar uma rede de cumplicidades intensas, ainda que seja néscio invocar interesses comerciais ou galerísticos. A trama que aqui se tece é bem mais profunda, apertada e consequente. Baltazar Torres e António Olaio cruzam-se várias vezes ao longo dos seus percursos, desenvolvendo colaborações com alguma frequência. Por sua vez, este último fundou com António Melo o Grupo Missionário, projecto onde se incluem ainda os nomes de Pedro Tudela, Nuno Santacruz, Alzira Relvas e Lúcia Viana. Olaio e Melo são ambos docentes em Coimbra, onde o primeiro coordena com Pedro Pousada a revista Homeless Mona Lisa, do Centro de Estudos de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC. Neste momento do percurso a MCO intervém na passagem do testemunho, sugerindo a Pedro Pousada o nome de Luís Fortunato Lima, o qual passará o lápis a Ana Guedes.

De Pousada a Ana Guedes faz-se a transição entre duas gerações. Neste trânsito começam a definir-se o
Espaço Maus Hábitos e o colectivo Senhorio como dois novos pólos que adicionam complexidade a este já
intricado jogo de estafeta. É no Maus Hábitos que Ana Guedes e Carla Capela participam na colectiva “Contra os Péssimos Hábitos” (2002), uma exposição de alunos do terceiro ano de escultura da FBAUP. Três anos depois, Capela irá depois coincidir com Carlos Pinheiro e Nuno de Sousa na exposição “Olhar pró Boneco”, que acontece no mesmo espaço. Os últimos dois nomes desta lista, também representados pela MCO, são membros fundadores do Senhorio, um colectivo artístico que nasce em 2004 e se insere na vaga de espaços independentes que se desenvolveram no Porto a partir de 1999. Apesar de não estarem directamente ligadas a este colectivo, Ana Guedes e Carla Capela fazem parte de um grupo alargado de artistas que orbita em torno destes espaços e iniciativas, aí construindo parte da sua teia de relações profissionais e de amizade.

É interessante notar no mapa que aqui se desenha a intricada rede de relações e associações pessoais e
profissionais que gira em torno de duas gerações de alunos da Faculdade de Belas Artes. Presente em ambas está a figura do colectivo, que serve de força aglutinadora entre hábitos e personalidades. Para além da FBAUP, todos os outros centros são espaços de exposição e ilustram a necessidade dos artistas encontrarem soluções para exporem e cruzarem trabalho fora dos circuitos institucionais. A MCO, como galeria comercial, escapa a este enquadramento, mas a política que seguiu nos seus primeiros dois anos de existência permitiu-lhe servir de porto de abrigo a muitos destes artistas, num registo que a aproximava muito da vivacidade e informalidade de espaços como o Senhorio e Maus Hábitos. Talvez mais importante, a galeria serviu de ponte entre duas gerações de artistas, e soube passar o testemunho.
 


 
 
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