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Siza Vieira Luísa Penha Álvaro Leite Siza Vieira Ângelo de Sousa Carlos Carreiro Fernando Pinto Coelho Gerardo Burmester Albuquerque Mendes Pedro Diniz Reis Francisco Queirós Hugo Canoilas.
   
 








  Entregue a Álvaro Siza Vieira, o quarto lápis da série VIARCO Express, começa por fazer um percurso natural. Das mãos do arquitecto passa a Luísa Penha, sua colaboradora de longa data, que o entrega a Álvaro Leite, filho de Siza e seu colaborador regular. Daqui o lápis é transmitido a Ângelo de Sousa. A ligação entre estes dois momentos do lápis é feita entre este último e o primeiro nome. Ambos alunos da então Escola Superior de Belas Artes do Porto, Siza Vieira e Ângelo de Sousa tornaram-se personagens incontornáveis da cultura portuguesa, e ícones da sua qualidade e projecção internacional.

Ângelo de Sousa decide imprimir celeridade ao percurso do lápis e impõe um conjunto de regras que irão
dominar a sequência imediata dos nomes que o sucedem. A partir deste momento cada desenho terá de
respeitar uma dimensão obrigatória, e cada um dos nomes parte de uma selecção do artista. É assim que Carlos Carreiro, Fernando Pinto Coelho, Gerardo Burmester e Albuquerque Mendes são convidados a participar no projecto. Este conjunto de artistas tem em comum a FBAUP e a cidade do Porto. Grandes dinamizadores da cena cultural nacional nas décadas de 70 e 80, cruzam-se em vários projectos que marcaram o pós-25 de Abril. Ângelo de Sousa e Albuquerque Mendes estiveram ambos presentes no evento organizado por Ernesto de Sousa em 1977, Alternativa Zero, um dos momentos marcantes de abertura e actualização da produção artística portuguesa. O trabalho de Albuquerque Mendes cruza-se com o de Burmester no histórico Espaço Lusitano e no trabalho em torno da performance que desenvolveram juntos. Por sua vez, Carlos Carreiro associa-se em 1976 aos nomes de Fernando Pinto Coelho e Albuquerque Mendes no grupo Puzzle, que formam com Graça Morais, Pedro Rocha, João Dixo, Dario Alves, Jaime Silva e Armando de Azevedo.

Apesar das intenções de Ângelo de Sousa, as regras que introduz não simplificam o processo. O lápis original perde-se e instala-se alguma confusão, que exige intervenção por parte dos responsáveis pelo projecto. Reintroduzidas as regras, Albuquerque Mendes escolhe o nome de José Loureiro, a partir do qual o lápis inicia um caminho que o faz escapar à gravidade deste grupo e transitar do Porto para Lisboa. Apesar de José Loureiro não estar presente no grupo final, já que resolveu não participar no projecto, este seria um lápis impossível de explicar sem o invocar.

O percurso dos artistas que compõem o final desta lista não é tão circular como o inicial e define um conjunto de pessoas que se vão cruzando em galerias e exposições colectivas, mas que não partilham projectos. José Loureiro passa o lápis a Pedro Diniz Reis, um artista que apresentou trabalho na Galeria Cristina Guerra, que representa Loureiro. Francisco Queirós esteve presente na mesma exposição, e os dois artistas coincidem também na exposição Slow Motion (2002), comissariada por Miguel Wandschneider e irão cruzar-se com o trabalho de Hugo Canoilas na Galeria Lagoa Henriques, sob o pretexto da colectiva Antimonumentos, com comissariado de Miguel von Hafe Pérez.

Da Arquitectura à Arte, do Porto a Lisboa, passando por três gerações, este lápis faz um percurso que desenha vários círculos de influência e estratégias de relacionamento. Partindo de uma família, revela as ligações de um grupo de artistas muito ligados à FBAUP e à cidade do Porto. A geração definida por Ângelo de Sousa é vital para a compreensão da evolução da produção artística em Portugal, e os nomes que escolhe são actores incansáveis no círculo da arte contemporânea portuguesa. Finalmente, depois de passar por José Loureiro, temos a imagem de uma geração que se afirma através das galerias de arte e do cruzamento de projectos apoiados por uma diversidade de instituições, muitas delas inexistentes nos anos 70 e 80. Todos com percursos internacionais e gravitando em torno de Lisboa, estes artistas ocupam nesta cartografia uma posição que ilustra bem as mudanças que o país sofreu nos últimos trinta e cinco anos, transformações que muito devem à acção do primeiro grupo.
 


 
 
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